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“Cobrasma não teve nada a ver com o regime”

Por Auris Sousa | 14 nov 2014

O empresário Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho em depoimento no último dia 10 / Foto: Leandro Conceição

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\r\n\r\nPor Leandro Conceição\r\n\r\n

\r\nEm depoimento à Comissão Municipal da Verdade de Osasco na segunda-feira, 10, o empresário Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, um dos dirigentes da Cobrasma na ocasião da histórica greve dos metalúrgicos de 1968, afirmou que a mobilização surpreendeu a direção e negou que a empresa tivesse dado algum tipo de apoio à ditadura militar.\r\n\r\n“Nenhum diretor nosso nunca teve relação com nada, nem ligado à repressão, nem à ação”. Ele negou que trabalhadores que participaram da mobilização tenham sido repreendidos pela empresa ou denunciados ao regime.\r\nDe acordo com Vidigal, a paralisação surpreendeu por começar sem que antes fosse apresentada uma pauta de reivindicações à Cobrasma. “A gente perguntava quais eram as reivindicações e falavam que apresentariam depois. Eu nunca vi fazerem uma mobilização para apresentar reivindicações depois”, criticou.\r\n\r\nA principal reivindicação era 35% de reajuste salarial. No entanto, a mobilização ia além da pauta trabalhista. “Os trabalhadores deram uma demonstração importante de que também estavam interessados nas mudanças que o país necessitava, que passava pela derrubada da ditadura”, lembrou, em 2008, José Ibrahim, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos na época, que morreu no ano passado.\r\n\r\nA greve de julho de 1968 foi uma das primeiras mobilizações de enfrentamento ao regime militar, iniciado com o golpe de 1964. Após o início na Cobrasma, que tinha na época entre 3.500 e 4.000 funcionários, os trabalhadores de outras fábricas, como Braseixos, Barreto Keller e Lanoflex também pararam. A mobilização foi violentamente reprimida pela ditadura. Dezenas de operários foram presos, torturados e banidos do país.\r\n\r\nA favor do regime “no início”\r\n\r\nVidigal participou da Marcha Pela Família com Deus Pela Liberdade, série de manifestações que incentivaram o golpe militar. Ele diz ter sido favorável ao regime “no início, depois desvirtuou”.\r\n\r\nEntre os motivos para apoiar a intervenção, lembrou o empresário, “por achar que o país ia caminhar para uma república populista perigosa; o país estava com inflação alta; e o [presidente] João Goulart estava sem condições de governar”.\r\n\r\nSobre os atuais protestos de grupos pedindo intervenção militar no país, ele avalia que são feitos “pelo pessoal que não viveu [na ditadura]. Da minha idade, você não encontra ninguém”. [Fonte: Visão Oeste / Link: www.visaooeste.com.br/cobrasma-nao-teve-nada-a-ver-com-o-regime/#sthash.AqNXDM3L.dpuf]

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #10

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